Caminhos práticos para uma comunicação acessível
Falar sobre acessibilidade em Língua Brasileira de Sinais, a Libras, nas empresas ainda costuma remeter a situações pontuais. Geralmente, saber incluir Libras no dia a dia das empresas ainda é um desafio gigante que muitas temem enfrentar. Ou, enfrentam diversas dificuldades para fazer isso acontecer.
Antes de mais nada é bom ressaltar que algumas lembram da Libras em situações isoladas, como, por exemplo, um evento institucional, um vídeo específico ou uma ação voltada à inclusão.
No entanto, a comunicação acessível não se constrói apenas em momentos formais. Ela ganha consistência quando passa a fazer parte do cotidiano organizacional. E sobre isso nós vamos falar nos próximos parágrafos. Boa leitura!
Por que incluir Libras no cotidiano das empresas?
A resposta é bem objetiva: incluir Libras no dia a dia das empresas significa reconhecer que as comunicações tanto interna quanto externa precisam levar em conta as diferentes formas de acesso à informação.
Consequentemente, isso envolve um olhar atento sobre alguns aspectos do cotidiano. Como as reuniões estão sendo conduzidas? Como os conteúdos estão sendo produzidos? E como as interações institucionais estão acontecendo?
Nesse sentido, não basta cumprir uma exigência legal como prevê a Lei 10.436/2002 (Lei de Libras) ou a Lei 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão) que exigem ao poder público e às empresas garantirem acessibilidade linguística e comunicacional. Tanto o poder público, como as empresas precisam estruturar uma comunicação que funcione para todas as pessoas inseridas no ambiente organizacional.
Sobre isso e outros pontos desse ambiente organizacional que vamos falar no artigo a seguir. Fique para saber mais!
Onde a comunicação acessível precisa estar no ambiente corporativo?
Quando uma empresa decide incorporar Libras à sua rotina, é comum que a primeira pergunta seja: “por onde começar?”. Sendo assim, uma forma eficiente de responder a essa questão é começar observando onde a comunicação realmente acontece no dia a dia corporativo.
Em muitas organizações, a maior parte das trocas ocorre em situações como:
- reuniões de equipe, seja remota ou presencial;
- treinamentos e capacitações;
- comunicados institucionais;
- eventos internos ou externos;
- vídeos corporativos e conteúdos digitais.
Essas situações são pontos estratégicos para iniciar a inclusão da Libras nas empresas. Todavia, não é necessário transformar tudo de uma vez. A inclusão da acessibilidade é um processo, ou seja, possui várias etapas para ser implementada.
Neste contexto, o mais importante é identificar quais desses espaços concentram informações essenciais. E, finalmente, garantir que eles também sejam acessíveis para pessoas surdas.
Quando uma reunião importante ocorre sem acessibilidade, por exemplo, não é apenas o colaborador surdo que estará perdendo uma informação pontual. Ele estará perdendo a possibilidade de participação nas decisões e nas trocas que estruturam o trabalho coletivo.
Desse modo, surge a necessidade da presença de intérpretes de Libras na rotina da empresa.
O papel do intérprete de Libras na rotina das empresas
Sabemos que se não houver participação da pessoa surda no ambiente em que ela se estiver, não há inclusão. Ou seja, se não há formas de se comunicar, não há interação.
E uma das formas mais diretas de inserir a Libras no cotidiano empresarial é por meio da presença de intérpretes de Libras em situações de comunicação estratégica.
Em suma, o trabalho do intérprete não se limita a traduzir palavras entre duas línguas. Ele atua como mediador linguístico entre a Língua Portuguesa e a Libras, garantindo que a informação circule entre pessoas surdas e ouvintes.
Na prática, isso pode acontecer em diferentes contextos do dia a dia corporativo. Veja este exemplo.
Imagine uma reunião de planejamento entre diferentes áreas da empresa. A presença de um intérprete permite que um colaborador surdo acompanhe as discussões em tempo real, participe das decisões e apresente suas próprias contribuições.
Sem a mediação linguística feita pelo intérprete de Libras, a comunicação ficaria limitada ou dependeria de soluções improvisadas.
Como incluir Libras em reuniões, treinamentos e eventos corporativos?
O mesmo vale para treinamentos internos e eventos corporativos. Algumas empresas frequentemente investem em capacitação para aprimorar seus processos internos e, também, qualificar suas equipes.
Se você ainda tem dúvidas em como implementar acessibilidade em treinamentos corporativos? Aprenda com este conteúdo do nosso blog.
Quando esses treinamentos contam com interpretação em Libras, as possibilidades das pessoas surdas participarem e aprenderem se tornam maiores.
Portanto, a presença do intérprete de Libras não é apenas um recurso técnico. Ela cria condições reais para que a comunicação aconteça de forma equilibrada entre pessoas ouvintes e surdas.
Desse modo, confira este artigo para entender cinco erros que você deve evitar ao contratar intérpretes de Libras. Vale a leitura!
Libras em vídeos e conteúdos institucionais
Continuando a falar sobre as diferentes situações em que você pode incluir Libras no dia a dia das empresas, outro momento importante para a inclusão de Libras é na hora de produzir conteúdos institucionais.
Atualmente, grande parte da comunicação empresarial acontece em formato audiovisual. Isto é, através de vídeos de campanhas em redes sociais ou tv, comunicados internos, apresentações institucionais, conteúdos para redes sociais ou treinamentos gravados.
Aliás, aqui explicamos o que é acessibilidade em treinamentos corporativos para você não ficar com dúvidas.
E as pessoas surdas também são parte do público que vai consumir esses materiais. Por isso, incluir Libras nesses materiais significa dar um passo em direção à uma comunicação acessível.
Um exemplo comum ocorre em vídeos institucionais publicados nas redes sociais ou no site da empresa. Quando esses conteúdos contam com janela de Libras produzida com qualidade técnica, a informação se torna acessível para um público que, muitas vezes, é excluído desse tipo de comunicação.
Outro caso comum ocorre quando vídeos são utilizados em programas de integração para novos colaboradores. Se esses materiais já nascem acessíveis, a empresa estabelece, desde o início, um padrão de comunicação inclusivo.
Essas decisões, quando incorporadas à rotina de produção de conteúdo, tornam a acessibilidade parte do processo — e não uma adaptação para ser feita posteriormente.
Caminhos práticos que ajudam a construir uma comunicação acessível
Nem toda inclusão de Libras depende de grandes produções ou mudanças estruturais imediatas. É necessário percorrer caminhos práticos que levem a sua empresa à construção de um ambiente mais preparado para uma comunicação acessível.
Um deles é o planejamento de reuniões e eventos. Quando a necessidade de interpretação em Libras é pensada desde a organização da agenda, fica mais simples garantir a presença de intérpretes de Libras qualificados para cada tipo de reunião.
Outra prática importante é o cuidado com materiais de apoio. Quando se tem apresentações com muito texto ou falas excessivamente rápidas, elas podem dificultar o acompanhamento da interpretação. Sendo assim, vale fazer ajustes simples na forma de conduzir a comunicação para melhorar a dinâmica da interação entre os colaboradores.
E as empresas que começam a incorporar essas práticas no cotidiano percebem que a acessibilidade deixa de ser um elemento externo ao trabalho. Agora, ela passa a integrar naturalmente os processos de comunicação – interna e externa – e a fazer parte da cultura da empresa.
A acessibilidade como parte da cultura organizacional
Em síntese, como mostramos anteriormente, inserir Libras no dia a dia das empresas não é uma tarefa que se resolve com uma única ação. Este é um longo caminho, que vai se tornando mais factível com o amadurecimento organizacional.
À medida que a empresa passa a pensar a acessibilidade como parte das suas rotinas, novas perguntas começam a surgir sob uma perspectiva mais inclusiva.
Quais conteúdos institucionais precisam de adaptação? Em quais situações a interpretação é indispensável? Como estruturar melhor a comunicação interna?
Essas perguntas fazem parte de um caminho de aprendizado das empresas. As organizações que enxergam a acessibilidade como parte de sua estratégia de comunicação, tendem a desenvolver soluções mais consistentes ao longo do tempo.
No final das contas, incluir Libras no cotidiano corporativo é ampliar as possibilidades de participação, circulação de conhecimento e troca entre pessoas diferentes. E, sem dúvidas, as empresas que conseguem promover uma comunicação eficiente entre os seus públicos estão melhor preparadas para lidar com os desafios do próprio ambiente de trabalho.
Como construir uma comunicação acessível e consistente?
Para concluir, como já dissemos, incluir Libras no dia a dia das empresas não é somente adaptar conteúdos esporadicamente. É preciso construir uma estrutura consistente de acessibilidade comunicacional. Uma comunicação que permita diferentes pessoas participarem das trocas dentro da organização.
Essa estrutura começa quando a acessibilidade sai do papel e aparece no planejamento de reuniões, na produção de conteúdos institucionais e na realização de eventos corporativos.
Com isso, a comunicação se torna mais transparente, mais eficiente e mais alinhada às demandas de um ambiente de trabalho com pessoas surdas e ouvintes.
Esse processo, no entanto, exige conhecimento técnico, planejamento e experiência durante a implementação das soluções acessíveis. A Inclua atua justamente apoiando empresas e instituições na construção de estratégias de acessibilidade em Libras.
Se a sua empresa está buscando estruturar uma comunicação mais acessível, vale conhecer as soluções que desenvolvemos para projetos corporativos. Ou se preferir, fale com a nossa equipe!