Pessoas surdas são minoria no mercado de trabalho

Como mudar essa realidade com atitudes práticas? Apesar dos avanços em diversidade e inclusão, pessoas surdas são minoria no mercado de trabalho no Brasil. Sim, essa realidade brasileira ainda está muito aquém do potencial. Principalmente, do que a legislação prevê. Segundo dados do censo do IBGE de 2010, o Brasil possui cerca de 10,7 milhões de pessoas com algum grau de deficiência auditiva. Mas, fazendo uma breve análise, quantas pessoas surdas você encontra nas empresas ou negócios da cidade onde você mora? Ainda assim, a participação no mercado de trabalho é limitada. Para se ter uma ideia, entre as pessoas com deficiência em idade ativa, apenas cerca de 4,7% estão empregadas. Mesmo com a obrigatoriedade da Lei de Cotas (Lei nº 8.213/91), que exige de 2% a 5% de pessoas com deficiência em empresas com mais de 100 colaboradores, a inclusão ainda acontece apenas na formalidade. Mas, faltam garantias de acessibilidade no dia a dia. Na prática, isso significa que muitas empresas contratam, mas não incluem de verdade. E é justamente aqui que está a oportunidade e também a responsabilidade dos líderes e gestores. Fique até o final deste artigo para entender melhor. Boa leitura! O que trava a inclusão de pessoas surdas nas empresas? A barreira que ainda provoca o cenário das pessoas surdas serem minoria no mercado de trabalho não está na capacidade profissional, mas no ambiente corporativo de cada empresa. Isto é, muitas empresas dão o passo inicial de contratar pessoas surdas. Porém, deixam de lado as boas práticas para convivência com pessoas que demandam uma estrutura, minimamente adequada, para a comunicação. Consequentemente, quando a empresa não garante acessibilidade para os colaboradores surdos, surgem alguns desafios que podem ser simples, mas comprometem até a permanência deles na empresa. Por exemplo, a falta de comunicação acessível em reuniões, treinamentos e feedbacks. Além disso, muitos colaboradores surdos ainda enfrentam a ausência de intérpretes de Libras no dia a dia das suas atividades, um problema que atrapalha o próprio desempenho do colaborador surdo em suas atividades. E quanto à cultura organizacional? Outro desafio enfrentado pelos colaboradores surdos é uma cultura organizacional pouco inclusiva. A equipe de Recursos Humanos contrata, mas esquece que a transformação de um ambiente acessível começa pela cultura da empresa. Uso limitado de tecnologias acessíveis, podendo comprometer a entrega dos colaboradores surdos. E, por último, quando encontram lideranças despreparadas, pouco compreensivas, que não acolhem e, em muitos casos, têm atitudes desrespeitosas. Sem isso, a inclusão de pessoas surdas, que ainda são minoria no mercado de trabalho, não se sustenta e fica desafiador reter colaboradores surdos. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência – 13.146/2015 enfatiza que a barreira não está na pessoa, mas no ambiente. E, começar a remover essa barreira é uma decisão estratégica de produtividade da sua empresa, não um custo. Entenda no checklist, a seguir, como você pode construir uma caminhada com atitudes práticas para implementar a acessibilidade para pessoas surdas. E com isso, contribuir para aumentar o números dessas pessoas no mercado de trabalho. Checklist prático: implemente acessibilidade para pessoas surdas no ambiente de trabalho Para implementar a acessibilidade dentro das empresas é preciso seguir alguns passos para que a estrutura funcione. Pensando nisso, preparamos para você um checklist, uma espécie de guia aplicável para implementação gradual dentro da sua empresa. Vamos juntos conferir? Conheça 8 passos para te guiar nesse processo Passo 1: Faça um diagnóstico inicial Inicialmente, mapeie se já existem colaboradores surdos ou potenciais candidatos para a sua empresa. Em seguida, avalie os pontos de contato: recrutamento, onboarding, comunicação interna. E faça a seguinte análise: essas etapas são acessíveis às pessoas surdas? Posteriormente, identifique quais são as barreiras atuais na sua empresa durante reuniões, uso dos sistemas e aplicação dos treinamentos. Eles contam com acessibilidade? Converse diretamente com pessoas surdas, porque incluir sem escutar quem realmente enfrenta as dificuldades não é suficiente. Confira como implementar acessibilidade em treinamentos corporativos neste artigo. Passo 2: Torne o recrutamento e a seleção acessíveis para novos colaboradores Vagas acessíveis: Antes de tudo, para recrutar e fazer processos seletivos acessíveis é necessário adaptar vagas com linguagem transparente e inclusiva. Isto é, comece oferecendo a opção de atendimento em Libras, através de uma chamada por vídeo. Ou seja, com um intérprete de Libras trabalhando remotamente ou presencial para a comunicação fluir naturalmente. Entrevista com intérpretes: prepare recrutadores da sua equipe para entrevistas com pessoas surdas, disponibilizando intérpretes de Libras devidamente preparados para este momento. Imagine o nervosismo natural de uma entrevista de emprego? Agora, imagine tentar adivinhar palavras pela metade enquanto o recrutador fala rápido? Ter um intérprete (presencial ou remoto), qualificado para este tipo de situação, garante que o candidato mostre seu real potencial. E se sinta mais à vontade durante a entrevista. A acessibilidade melhora a comunicação para todos. E, aí, como fazer isso na prática? Procure inserir um vídeo gravado por intérprete de Libras na divulgação de vagas nas redes sociais e site da empresa. Outra iniciativa imprescindível é a presença de intérpretes de Libras nas etapas finais do processo seletivo. Isso permite que o futuro colaborador surda se sinta acolhido desde antes de ingressar na sua empresa. E, por fim, evite depender exclusivamente de comunicação oral. Alterne entre os formatos de comunicações orais e escritas para atender a diversidade dos seus colaboradores. A inclusão começa pelos detalhes! Passo 3: Crie um onboarding inclusivo Materiais de boas-vindas: Vídeos de cultura da empresa precisam ter legenda e janela de Libras. Dessa forma, sempre que possível, antecipe a organização do onboarding e, disponibilize materiais visuais e acessíveis, em vídeos com tradução em Libras. Além disso, garanta intérpretes de Libras já na fase de integração no ambiente de trabalho do colaborador surdo. Já pensou se no primeiro dia, o colaborador surdo recebe um vídeo do CEO, sem Libras, a mensagem de “somos uma família” vira apenas ruído visual para ele. Por isso, estruture um onboarding mais visual e menos dependente de áudio para as pessoas surdas terem uma experiência bem-sucedida nessa etapa. Isto

O que é acessibilidade em treinamentos corporativos?

Na ilustração tem uma mulher com prancheta na mão fazendo check-list, servindo como exemplo, como se estivesse em um treinamento corporativo. Ao lado tem uma figura de um corpo dentro de um círculo amarelo e ao lado o símbolo de uma engrenagem. A imagem é ilustrativa para o blog post que aborda acessibilidade em treinamentos corporativos..

Os treinamentos corporativos são um dos pilares do desenvolvimento profissional dentro das empresas – e isso todo mundo já sabe. É nesse espaço que colaboradores aprendem novas habilidades, absorvem a cultura organizacional e se preparam para assumir novas responsabilidades. Mas… e quando esses conteúdos não são acessíveis? Para colaboradores surdos e com deficiência, a falta de acessibilidade em treinamentos corporativos significa ficar de fora de oportunidades de aprendizado, promoção e engajamento dentro do próprio ambiente de trabalho. Em outras palavras, é como se a empresa dissesse, ainda que sem intenção: “Nem todos podem evoluir com a gente.” Quando isso acontece, o impacto é duplo: profissionais deixam de crescer e gestores perdem talentos que poderiam estar contribuindo em posições estratégicas. Com o tempo, a cultura de inclusão se fragiliza e o discurso de diversidade perde força. Por que a acessibilidade em treinamentos é indispensável (e obrigatória)? Além de uma boa prática, a acessibilidade em treinamentos corporativos é um direito garantido por lei e por tratados internacionais. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, ratificada pelo Brasil com status de emenda constitucional (Decreto nº 6.949/2009), estabelece que a acessibilidade e a comunicação são direitos humanos fundamentais. Isso significa que garantir acesso à informação, à aprendizagem e à comunicação em Libras não é uma escolha: é uma obrigação legal e ética que protege a dignidade e a autonomia das pessoas com deficiência. Além disso, a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015, art. 34, §4º) reforça essa garantia ao determinar que todas as empresas devem assegurar acessibilidade em cursos, treinamentos, planos de carreira e promoções: §4º A pessoa com deficiência tem direito à participação e ao acesso a cursos, treinamentos, educação continuada, planos de carreira, promoções, bonificações e incentivos profissionais oferecidos pelo empregador, em igualdade de oportunidades com os demais empregados. Ignorar essa exigência pode gerar passivos trabalhistas, ações por discriminação e danos à reputação corporativa, além de comprometer a imagem de uma empresa que se apresenta como diversa e inclusiva. Cumprir a legislação e a Convenção, por outro lado, é garantir que a acessibilidade em treinamentos corporativos seja tratada com o mesmo peso e seriedade que qualquer outro direito humano – incluindo o acesso à Libras como língua de interação e de cidadania. Recursos essenciais para treinamentos corporativos acessíveis Quando se fala em acessibilidade, muitas empresas ainda pensam apenas na infraestrutura física: rampas, elevadores, banheiros adaptados. Esses elementos são fundamentais, mas não garantem, sozinhos, a inclusão plena. No contexto dos treinamentos corporativos acessíveis, a acessibilidade precisa ir muito além do espaço físico. É necessário identificar e remover também as barreiras de comunicação e de aprendizagem que impedem a participação de colaboradores em sua diversidade. Por isso, garantir acessibilidade em treinamentos corporativos envolve aplicar recursos e estratégias que promovam igualdade real de oportunidades naquilo que depende, também, da comunicação. A seguir, conheça os principais elementos que tornam um treinamento acessível na prática. 1. Tradução e interpretação em Libras A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é a língua de conforto de grande parte da comunidade surda brasileira. Oferecer intérpretes qualificados em treinamentos ao vivo e vídeos traduzidos em Libras garante que as informações sejam transmitidas de forma completa, natural e autônoma – sem que colaboradores surdos precisem depender de colegas como mediadores. Além de assegurar acesso pleno à informação, a presença da Libras reafirma o compromisso da empresa com os direitos linguísticos e com a representatividade surda no ambiente de trabalho. 2. Legendagem descritiva Mais do que a legenda tradicional, a legendagem descritiva adiciona informações sonoras relevantes, como pausas, músicas e reações. Esse recurso é essencial em vídeos de EAD, treinamentos gravados ou campanhas internas, garantindo equidade na experiência de aprendizagem. 💡 Dica: utilize profissionais de acessibilidade para criar as legendas, assegurando precisão e qualidade. Legendas automáticas raramente atendem aos padrões de acessibilidade comunicacional. 3. Audiodescrição A audiodescrição transforma o conteúdo visual (imagens, gráficos, vídeos e slides) em descrições verbais que traduzem o que se vê em palavras. Assim, colaboradores cegos ou com baixa visão compreendem integralmente o material apresentado e participam em igualdade de condições. A audiodescrição pode ser aplicada em materiais audiovisuais, apresentações e treinamentos online, sendo uma das práticas mais eficazes para promover melhores práticas inclusão sensorial ou cognitiva. 4. Materiais digitais acessíveis Treinamentos online, apostilas e PDFs precisam ser compatíveis com leitores de tela e tecnologias assistivas. Isso inclui aplicar formatação correta, inserir textos alternativos (alt text) em imagens e respeitar os padrões internacionais de acessibilidade digital, como as Diretrizes WCAG e a ABNT NBR 17060:2022. Além de garantir conformidade técnica, materiais digitais acessíveis refletem cuidado com a experiência de todos os participantes, fortalecendo a cultura de acessibilidade digital da empresa. 5. Metodologias inclusivas A acessibilidade em treinamentos corporativos não é apenas técnica — ela também é pedagógica e relacional. Cada pessoa aprende de forma diferente, e por isso é fundamental diversificar as metodologias de ensino. Alternar entre exposição oral, atividades práticas, recursos visuais, materiais de apoio e feedback contínuo torna o aprendizado mais significativo e inclusivo. Mais do que adaptar conteúdos prontos, trata-se de planejar treinamentos pensando na diversidade desde o início, garantindo que todos aprendam, participem e contribuam. Mais do que participação: qualidade na experiência Promover acessibilidade em treinamentos corporativos não significa apenas permitir que alguém participe, mas garantir que essa participação seja significativa, autônoma e de qualidade.Em outras palavras, não basta incluir pessoas: é preciso incluir bem. Por isso, a acessibilidade precisa estar presente em todas as etapas do treinamento: do convite e inscrição até o material de apoio, passando pelas dinâmicas, interações e avaliação final.Quando cada fase é pensada sob a ótica da inclusão, o resultado é um processo de aprendizagem mais justo, colaborativo e realmente eficaz. Além disso, ao garantir acessibilidade desde o início, a empresa demonstra planejamento, maturidade e compromisso com a diversidade: valores cada vez mais valorizados por colaboradores e pelo mercado. Por onde começar: diagnóstico e planejamento Se a sua empresa ainda não oferece treinamentos corporativos acessíveis, o primeiro passo é realizar um diagnóstico interno para identificar

Precisa contratar intérprete de Libras? 5 erros que você deve evitar

Contratar intérprete de Libras é uma decisão que vai muito além de cumprir uma exigência legal. Essa escolha impacta diretamente na qualidade da comunicação, na experiência do público surdo e na imagem da sua empresa ou projeto. Muita gente ainda acredita que basta “ter alguém que sabe Libras” para resolver a acessibilidade. Mas isso é um erro (e dos grandes). Por isso, neste artigo, você vai descobrir 5 erros comuns ao contratar intérprete de Libras e como evitá-los para garantir uma acessibilidade de verdade, para além de um discurso, com responsabilidade e qualidade. 1. Achar que qualquer pessoa fluente em Libras pode atuar como intérprete profissional Falar Libras não é o mesmo que interpretar Libras.Alguém que fala inglês, por exemplo, não é automaticamente um tradutor. Do mesmo modo, atuar como intérprete de Libras exige formação técnica, domínio de técnicas de interpretação, conhecimento ético e prática constante. A atuação do intérprete envolve mediação linguística e cultural em tempo real. Isso acontece em contextos diversos: eventos, audiências, consultas médicas, processos seletivos, treinamentos e entrevistas. Nesses ambientes, qualquer falha pode comprometer a compreensão, a tomada de decisão e até os direitos da pessoa surda. É por isso que a Lei nº 12.319/2010, que regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete de Libras no Brasil, exige qualificação profissional comprovada. Ou seja: não basta saber Libras: é necessário ter formação específica para atuar com responsabilidade e qualidade. Ignorar essa diferença pode gerar interpretações ruins, falhas de comunicação e constrangimentos institucionais. E o prejuízo não é apenas técnico: também afeta a credibilidade da empresa, do evento ou do órgão público envolvido. ✔️ Sugestão: antes de contratar intérprete de Libras, verifique a formação, experiência, áreas de atuação e domínio técnico do profissional. Isso faz toda a diferença na qualidade do serviço. 2. Escolher apenas pelo preço mais baixo Sabemos que todo projeto tem um orçamento.Mas contratar intérprete de Libras apenas pelo menor preço, sem considerar qualidade técnica, experiência e contexto, pode sair muito mais caro do que parece. Quando a escolha se baseia apenas no valor, surgem problemas frequentes: interpretação inadequada, falhas de comunicação, retrabalho, constrangimentos durante o evento — e até exclusão do público surdo, o que fere princípios básicos de acessibilidade. Isso também pode comprometer seriamente a imagem da sua organização. Intérpretes de Libras não são todos iguais – e nem devem ser. Assim como em qualquer profissão, existem diferentes níveis de formação, áreas de especialidade, estilos de atuação e perfis profissionais.Um intérprete experiente em conferências técnicas, por exemplo, pode não ser a melhor escolha para um show musical. Eventos técnicos, reuniões corporativas, ambientes de saúde, processos seletivos, apresentações artísticas e vídeos educacionais exigem habilidades específicas, que afetam diretamente a entrega da mensagem e a qualidade da acessibilidade comunicacional. ✔️ Sugestão: ao contratar intérprete de Libras, considere o valor agregado que o profissional oferece, não apenas o custo imediato. A acessibilidade feita com qualidade é um investimento, não um gasto. 3. Não considerar o tempo e a carga de trabalho Muita gente ainda acredita que um único profissional pode interpretar Libras por horas sozinho.Esse é um erro grave tanto do ponto de vista técnico quanto humano. A interpretação simultânea em Libras exige foco intenso, raciocínio rápido, decisões em tempo real e esforço físico constante. É uma atividade de alto desgaste cognitivo, que, quando realizada por longos períodos sem revezamento, pode comprometer a qualidade da tradução e a saúde do intérprete. Por isso, a prática mais segura e profissional é que dois intérpretes de Libras se revezem a cada 20 a 30 minutos. Em contextos mais exigentes, esse tempo pode ser ainda menor.Além disso, há restrições legais à atuação contínua de um único intérprete por mais de 60 minutos, conforme previsto na Lei nº 12.319/2010 e em normas técnicas complementares. Ignorar essas orientações não apenas gera uma comunicação de baixa qualidade, mas também expõe os profissionais a riscos e fere o direito à acessibilidade plena das pessoas surdas ou com deficiência auditiva. ✔️ Sugestão: ao contratar intérprete de Libras, sempre verifique a dinâmica da equipe e respeite os limites da atuação profissional. A qualidade do serviço depende disso. 4. Ignorar o tempo de atuação e a carga de trabalho do intérprete de Libras A acessibilidade não deve ser tratada como um detalhe de última hora.Quando os intérpretes de Libras são acionados com urgência, etapas fundamentais acabam sendo atropeladas: leitura prévia dos materiais, alinhamento com a equipe e preparação técnica para o contexto. Sem esse processo, o que se tem é um serviço improvisado, sem fluidez nem adequação ao público.Isso compromete não apenas a experiência das pessoas surdas, mas também a imagem da sua empresa ou instituição, que pode parecer despreparada ou descomprometida com a inclusão. Além disso, contratar intérprete de Libras com antecedência permite ajustar a equipe ao perfil do evento, prever revezamento e alinhar a atuação à identidade da organização.Esses fatores fazem toda a diferença na entrega. Planejar a acessibilidade com o mesmo cuidado dedicado ao conteúdo, ao palco ou à estrutura técnica é sinal claro de profissionalismo e respeito. ✔️ Sugestão: envolva os intérpretes desde o início do planejamento do evento, conteúdo ou projeto. Assim, você garante uma comunicação acessível, segura e de qualidade para todos. 5. Contratar intérprete de Libras sem entender a demanda real Nem toda situação exige o mesmo tipo de intérprete de Libras – e nem o mesmo formato de acessibilidade.Cada contexto pede uma solução pensada a partir do tipo de conteúdo, do público-alvo, da finalidade da comunicação e do canal de divulgação. Por exemplo, eventos ao vivo com participação do público costumam demandar interpretação simultânea em tempo real. Já materiais gravados – como videoaulas, treinamentos, campanhas ou tutoriais – muitas vezes se beneficiam mais de uma tradução com janela de Libras, que permite controle de qualidade e revisão antes da publicação. Em alguns casos, o ideal é um vídeo acessível completo, com Libras, legendas descritivas e audiodescrição integradas. A escolha errada do formato pode gerar retrabalho, desperdício de recursos e exclusão do público. Ou seja: um investimento feito,

Como contratar intérpretes de Libras? Evite cair em armadilhas!

Tem sido cada vez mais comum (jamais normal) vermos pessoas atuando como intérpretes de Libras. Nesse caso, atuando no sentido de representar, pois não são profissionais. Apenas atuam como tal. Um dos casos mais emblemáticos que eu me lembro foi um suposto intérprete de língua de sinais da África do Sul que, no funeral do Nelson Mandela em 2013, se posicionou ao lado de autoridades como Barack Obama e tantas outras. Aquela pessoa, na verdade, não estava sinalizando nada. Suas mãos e corpo se moviam, mas não havia sentido no que ele fazia. Sabe qual é o problema disso? Ninguém além das pessoas sinalizantes sabia o que estava acontecendo! Até que alguém botasse a boca no trombone, tudo parecia lindo para quem assistia sem saber a língua de sinais. Mas vou falar uma coisa: o caso do intérprete falso no funeral do Mandela só veio à tona por conta da denúncia, que gerou ampla repercussão na mídia internacional. Afinal, era o funeral do Mandela, né? Todos se abismaram. Todos se chocaram. Todos se indignaram. Mas… Existem intérpretes-fake entre nós. Mais do que você imagina. Há poucos dias, outro caso de intérprete falso veio à tona: dessa vez aqui no Brasil. O vídeo de um ex-deputado circulou nas redes sociais e gerou muita, muita indignação. Ao lado do homem, havia uma mulher também mexendo suas mãos e braços. Em tese, ela estaria interpretando a fala dele para Libras. Mas, novamente, o cenário do funeral se repetiu. O que ela fazia não era língua brasileira de sinais. Nem em um nível básico/iniciante. Eram simplesmente gestos e movimentos aleatórios, sem significado. Evidentemente, as comunidades surdas reagiram com muita força e denunciaram aquele absurdo. O ex-deputado pediu desculpas e disse que havia contratado aquela “intérprete” por meio de uma empresa. Como ele não sabe língua de sinais, confiou que fosse, de fato, uma profissional. Agora eu te pergunto… Quem você tem contratado para ser intérprete de Libras? Os casos dos supostos intérpretes de Libras, tanto no funeral do ex-líder sul africano quanto no vídeo do Instagram, causaram repercussão, porque estavam em muita evidência! O primeiro caso foi televisionado. O segundo, circulou nas redes sociais. Mas o que acontece em eventos mais fechados, onde não há tanta visibilidade assim? Conferências, reuniões, apresentações, treinamentos, consultas etc. Infelizmente, com muita frequência nós, que fazemos parte das comunidades surdas, recebemos relatos de pessoas surdas frustradas com os intérpretes que lhes foram fornecidos. (Aliás, quando são fornecidos, né?) Intérpretes que não dão conta da complexidade de um atendimento jurídico. Que interpretam informações erradas em uma consulta médica. Que não dão conta de mediar a comunicação em um simples atendimento em uma loja. Que, mais do que somar, prejudicam gravemente a comunicação. E depois as pessoas inferiorizam as pessoas surdas, quando, na verdade, o “”intérprete”” que não fez o seu trabalho (talvez, porque não era um profissional). A culpa é de quem, então? Entendo que tanto de quem tem a ousadia de fazer algo assim (pela razão que for) quanto de quem contrata a pessoa, direta ou indiretamente. Ora, será que ainda não sabemos que tradução e interpretação entre línguas são serviços extremamente especializados? Falando da Libras no Brasil, a profissão é até mesmo regulamentada por lei! Afinal, quem pode ser intérprete de Libras? Ao contrário de outros profissionais que trabalham na área da acessibilidade comunicacional, existem diversos requisitos para que uma pessoa possa ser tradutor, intérprete ou guia-intérprete. O artigo 4o da Lei n. 12.319/2010, modificada pela lei 14.704/2023, é clara e diz que o exercício da profissão é privativo (isto é, exclusivo) para: OU SEJA, não basta saber Libras para ser intérprete! É uma profissão de muita responsabilidade, que exige formação, rigor técnico e ético, além de conhecimento das especificidades da comunidade surda (art 7o, VI). “Ah, mas eu tenho um primo que sabe Libras”. “Ah, mas um colega de trabalho sabe um pouquinho”. “Ah, mas a gente dá um jeito aqui na empresa e se fala através de mímica.” Pensa comigo: se essa pessoa que “ajuda”não é, de fato um profissional, quais as possíveis consequências? Não me refiro apenas aos impactos reputacionais no caso de denúncia, mas do (in)acesso à informação e da (im)possibilidade de comunicação. “Ah, mas os surdos aqui nunca reclamaram ou falaram nada.” Pensa comigo de novo: se já é uma dificuldade imensa lutar para ter intérpretes, imagina o medo de ter que reclamar e dizer que o serviço não está sendo bom? Pois é. E como contratar intérpretes de Libras de verdade? Agora que você já sabe que não é qualquer pessoa que pode ser intérprete de Libras, você também é responsável por isso – mesmo que você não saiba a língua. Em primeiro lugar, confirme, junto à empresa que você pretende contratar, se os profissionais têm a qualificação necessária. Não tenha medo de pedir comprovação, certificados, de verificar a legitimidade da documentação. É sua responsabilidade! Em segundo lugar, peça um portfólio atualizado. Confira os trabalhos realizados, veja se existe experiência comprovada em contextos semelhantes àquele que você pretende contratar. Afinal, também existem muitos nichos diferentes como corporativo, cultural, midiático etc. Em terceiro lugar, sempre que possível, peça feedback às pessoas surdas sobre os trabalhos realizados pela empresa e seus profissionais. Elas, melhor do que ninguém, vão poder atestar que, de fato, os intérpretes fazem a comunicação acontecer. Precisa de ajuda com tradução e interpretação em línguas de sinais e soluções em acessibilidade comunicacional, nós da Inclua | Libras e acessibilidade podemos te ajudar. Vamos juntos?

Legendas para Surdos e Ensurdecidos: qual a diferença?

Quando se fala em legendas, muitas pessoas pensam que elas servem apenas para traduzir uma língua estrangeira. Mas você sabia que existe um tipo de legenda feita para tornar o próprio idioma mais acessível, especialmente para a comunidade surda? São as Legendas para Surdos e Ensurdecidos (LSE), também chamadas de Legendas Descritivas. Elas são um recurso de acessibilidade que vai além da tradução de palavras, incluindo informações importantes para garantir uma experiência completa para quem precisa. As Legendas para Surdos e Ensurdecidos ou Legendas Descritivas não são um recurso novo, mas a sua aplicação tem se expandido consideravelmente nos últimos anos. Mas afinal, o que diferencia a LSE das legendas convencionais? E qual é a real importância dessa ferramenta para a inclusão da comunidade surda no universo cultural, artístico e informativo? Esse é um assunto muito interessante e válido de se entender. Então vamos por partes! Conhecendo a Legenda para Surdos e Ensurdecidos ou Legendas Descritivas: A principal diferença entre as legendas convencionais e a Legenda para Surdos e Ensurdecidos é que, além das falas, a LSE também inclui informações sobre quem está falando e os efeitos sonoros da cena, como músicas, passos ou sons de fundo. Tudo isso é pensado para ajudar o telespectador a entender melhor a história. Em resumo, o objetivo da LSE é transformar sons em palavras para tornar o conteúdo mais acessível. Sabe quando você está assistindo a um filme e há uma música de suspense para intensificar a cena? Então, para incluir as pessoas surdas ou com deficiência auditiva, a legenda precisa indicar essa música de fundo. O mesmo vale para outros sons importantes, como tiros, objetos caindo ou a identificação de qual personagem está falando. Videoclipe “Dona Adelaide” – trabalho de legendagem realizado pela Inclua Por exemplo, em filmes de ação com efeitos sonoros intensos, sem a LSE, uma pessoa surda pode perder uma parte importante da experiência. A legenda que descreve uma explosão, uma sirene ou o som de um vento forte ajuda a completar o entendimento da cena. Assim, a LSE é essencial para tornar a experiência audiovisual acessível, seja em filmes, séries ou programas de TV. Hoje em dia, com a internet e plataformas como YouTube, redes sociais e até mesmo vídeoaulas e treinamentos, as legendas são essenciais para garantir que mais pessoas tenham acesso a conteúdos importantes. Ainda assim, muitas pessoas não entendem a importância das legendas e acabam não prestando atenção ou até mesmo deixando de usá-las. Mas você sabia que as legendas também ajudam as pessoas ouvintes? Em lugares barulhentos, como aeroportos, hospitais ou bares, as legendas descritivas permitem que as pessoas entendam vídeos e programas de TV, mesmo quando o som não está claro. Assim, dá para acompanhar o conteúdo sem precisar aumentar o volume ou esperar um ambiente mais silencioso. Legenda para Surdos e Ensurdecidos ou Legendas Descritivas: mais que um direito, novas possibilidades! Oferecer legendas para surdos e ensurdecidos ou legendas descritivas em sua produção audiovisual abre muitas possibilidades. Além de atingir um público maior, isso agrega valor ao seu trabalho. De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), todas as pessoas surdas e com deficiência têm direito de acessar cultura e lazer, em igualdade de condições e oportunidades. Assim, tornar espaços culturais, artísticos e informacionais mais acessíveis promove a autonomia dos telespectadores, permitindo que escolham livremente o conteúdo e os ambientes que desejam acessar. Isso garante o direito de acesso e a liberdade de escolha para todas as pessoas. Na Inclua, somos especializados em soluções de acessibilidade audiovisual. Oferecemos consultoria especializada para transformar a maneira como sua comunicação chega ao público e transformar de vez o seu modo de comunicar! Vamos juntos? Inclua: promover equidade e tornar a acessibilidade uma realidade, esse é o nosso objetivo. Texto desenvolvido por Mayara Bernardo, Jornalista.







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