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Pessoas surdas são minoria no mercado de trabalho

Como mudar essa realidade com atitudes práticas?

Apesar dos avanços em diversidade e inclusão, pessoas surdas são minoria no mercado de trabalho no Brasil. Sim, essa realidade brasileira ainda está muito aquém do potencial. Principalmente, do que a legislação prevê.

Segundo dados do censo do IBGE de 2010, o Brasil possui cerca de 10,7 milhões de pessoas com algum grau de deficiência auditiva. Mas, fazendo uma breve análise, quantas pessoas surdas você encontra nas empresas ou negócios da cidade onde você mora?

Ainda assim, a participação no mercado de trabalho é limitada. Para se ter uma ideia, entre as pessoas com deficiência em idade ativa, apenas cerca de 4,7% estão empregadas.

Mesmo com a obrigatoriedade da Lei de Cotas (Lei nº 8.213/91), que exige de 2% a 5% de pessoas com deficiência em empresas com mais de 100 colaboradores, a inclusão ainda acontece apenas na formalidade. Mas, faltam garantias de acessibilidade no dia a dia.

Na prática, isso significa que muitas empresas contratam, mas não incluem de verdade. E é justamente aqui que está a oportunidade e também a responsabilidade dos líderes e gestores. Fique até o final deste artigo para entender melhor. Boa leitura!


O que trava a inclusão de pessoas surdas nas empresas?


A barreira que ainda provoca o cenário das pessoas surdas serem minoria no mercado de trabalho não está na capacidade profissional, mas no ambiente corporativo de cada empresa. Isto é, muitas empresas dão o passo inicial de contratar pessoas surdas. Porém, deixam de lado as boas práticas para convivência com pessoas que demandam uma estrutura, minimamente adequada, para a comunicação.

Consequentemente, quando a empresa não garante acessibilidade para os colaboradores surdos, surgem alguns desafios que podem ser simples, mas comprometem até a permanência deles na empresa.

Por exemplo, a falta de comunicação acessível em reuniões, treinamentos e feedbacks. Além disso, muitos colaboradores surdos ainda enfrentam a ausência de intérpretes de Libras no dia a dia das suas atividades, um problema que atrapalha o próprio desempenho do colaborador surdo em suas atividades.


E quanto à cultura organizacional?

Outro desafio enfrentado pelos colaboradores surdos é uma cultura organizacional pouco inclusiva. A equipe de Recursos Humanos contrata, mas esquece que a transformação de um ambiente acessível começa pela cultura da empresa.

Uso limitado de tecnologias acessíveis, podendo comprometer a entrega dos colaboradores surdos. E, por último, quando encontram lideranças despreparadas, pouco compreensivas, que não acolhem e, em muitos casos, têm atitudes desrespeitosas.

Sem isso, a inclusão de pessoas surdas, que ainda são minoria no mercado de trabalho, não se sustenta e fica desafiador reter colaboradores surdos. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência – 13.146/2015 enfatiza que a barreira não está na pessoa, mas no ambiente. E, começar a remover essa barreira é uma decisão estratégica de produtividade da sua empresa, não um custo.

Entenda no checklist, a seguir, como você pode construir uma caminhada com atitudes práticas para implementar a acessibilidade para pessoas surdas. E com isso, contribuir para aumentar o números dessas pessoas no mercado de trabalho.


Checklist prático: implemente acessibilidade para pessoas surdas no ambiente de trabalho

Para implementar a acessibilidade dentro das empresas é preciso seguir alguns passos para que a estrutura funcione.

Pensando nisso, preparamos para você um checklist, uma espécie de guia aplicável para implementação gradual dentro da sua empresa. Vamos juntos conferir?

Conheça 8 passos para te guiar nesse processo


Passo 1: Faça um diagnóstico inicial


Inicialmente, mapeie se já existem colaboradores surdos ou potenciais candidatos para a sua empresa. Em seguida, avalie os pontos de contato: recrutamento, onboarding, comunicação interna. E faça a seguinte análise: essas etapas são acessíveis às pessoas surdas?

Posteriormente, identifique quais são as barreiras atuais na sua empresa durante reuniões, uso dos sistemas e aplicação dos treinamentos. Eles contam com acessibilidade?

Converse diretamente com pessoas surdas, porque incluir sem escutar quem realmente enfrenta as dificuldades não é suficiente. Confira como implementar acessibilidade em treinamentos corporativos neste artigo.


Passo 2: Torne o recrutamento e a seleção acessíveis para novos colaboradores


Vagas acessíveis: Antes de tudo, para recrutar e fazer processos seletivos acessíveis é necessário adaptar vagas com linguagem transparente e inclusiva.

Isto é, comece oferecendo a opção de atendimento em Libras, através de uma chamada por vídeo. Ou seja, com um intérprete de Libras trabalhando remotamente ou presencial para a comunicação fluir naturalmente.

Entrevista com intérpretes: prepare recrutadores da sua equipe para entrevistas com pessoas surdas, disponibilizando intérpretes de Libras devidamente preparados para este momento.

Imagine o nervosismo natural de uma entrevista de emprego? Agora, imagine tentar adivinhar palavras pela metade enquanto o recrutador fala rápido?

Ter um intérprete (presencial ou remoto), qualificado para este tipo de situação, garante que o candidato mostre seu real potencial. E se sinta mais à vontade durante a entrevista. A acessibilidade melhora a comunicação para todos.

E, aí, como fazer isso na prática?

Procure inserir um vídeo gravado por intérprete de Libras na divulgação de vagas nas redes sociais e site da empresa.

Outra iniciativa imprescindível é a presença de intérpretes de Libras nas etapas finais do processo seletivo. Isso permite que o futuro colaborador surda se sinta acolhido desde antes de ingressar na sua empresa.

E, por fim, evite depender exclusivamente de comunicação oral. Alterne entre os formatos de comunicações orais e escritas para atender a diversidade dos seus colaboradores. A inclusão começa pelos detalhes!


Passo 3: Crie um onboarding inclusivo


Materiais de boas-vindas: Vídeos de cultura da empresa precisam ter legenda e janela de Libras. Dessa forma, sempre que possível, antecipe a organização do onboarding e, disponibilize materiais visuais e acessíveis, em vídeos com tradução em Libras. Além disso, garanta intérpretes de Libras já na fase de integração no ambiente de trabalho do colaborador surdo.

Já pensou se no primeiro dia, o colaborador surdo recebe um vídeo do CEO, sem Libras, a mensagem de “somos uma família” vira apenas ruído visual para ele.

Por isso, estruture um onboarding mais visual e menos dependente de áudio para as pessoas surdas terem uma experiência bem-sucedida nessa etapa.

Isto é, pense em criar vídeos com legenda e Libras, além de guias visuais de processos da empresa.


Passo 4: Torne a comunicação acessível no dia a dia

A acessibilidade precisa aparecer na rotina, não apenas em ações pontuais. Comece garantindo que reuniões, eventos e comunicados internos sejam acessíveis, com intérpretes de Libras, legendas ou outros recursos adequados ao perfil linguístico das pessoas surdas envolvidas.

Na prática, isso inclui: enviar pautas e materiais antes das reuniões, evitar falas sobrepostas, registrar decisões por escrito, compartilhar links e documentos em canais acessíveis, confirmar se vídeos internos têm legenda e/ou Libras, reservar tempo para dúvidas e garantir que mudanças importantes não circulem apenas por conversas informais.

Além disso, fortaleça uma cultura de comunicação objetiva e transparente, para que a informação circule de forma consistente e ninguém dependa de improvisos para participar.


Passo 5: Capacite as lideranças e times da sua empresa

Treinamento em Libras para a equipe direta: Proporcione treinamento básico em cultura surda para os colaboradores da sua empresa. Comece pelos cargos de gestão, desenvolvendo lideranças inclusivas.

Não precisa ter fluência para incluir. Mas ensinar “Bom dia”, “Obrigado”, “Precisa de ajuda?” e sinais específicos da função gera acolhimento imediato. Saiba mais sobre como incluir Libras no dia a dia das empresas aqui no Blog da Inclua.

Busque empresas referências em acessibilidade em Libras, para introduzir noções de Libras para suas equipes.

É importante ressaltar que a inclusão não é responsabilidade só do setor de Recursos Humanos da empresa, mas também da liderança.

Passo 6: Use a tecnologia como aliada

Reuniões híbridas ou presenciais: Adote o uso de interpretação de Libras via tablet ou plataformas de vídeo que permitam “fixar” o intérprete na tela. A Inclua trabalha com duplas de intérpretes sob demanda (remoto ou presencial). Confira como contratar intérpretes de Libras sem cair em armadilhas aqui.

Adquira softwares de acessibilidade e implemente recursos visuais e colaborativos. “O café está pronto?” Em vez de alguém gritar no corredor, use o canal de comunicação via chat ou uma luz indicativa na área comum.

Sem dúvida, a experiência de empresas maduras em processos com acessibilidade e que usam tecnologia conseguem escalar inclusão com mais eficiência e menor custo.

Passo 7: Crie cultura inclusiva e de pertencimento

Propicie espaços de comunicação: Incentive seus colaboradores a manterem interações inclusivas no time. Se possível, crie espaços seguros de comunicação para um café, uma troca durante a pausa do trabalho ou para relaxamento pós almoço.

Há empresas que já aderem inclusão e diversidade, mas poucas garantem oportunidades reais de crescimento para colaboradores surdos.

Um dado importante que é comum de se ver: iniciativas de acessibilidade ainda são pontuais e não estruturadas, o que limita o desenvolvimento e a progressão de carreira de profissionais surdos.

Passo 8: Monitore cada etapa

Monitoramento para gerar avanço: Definir indicadores (contratação, retenção, promoção) possibilita mensurar os avanços e o crescimento em curto, médio e longo prazo da sua empresa.

É essencial para a saúde do setor de inclusão e diversidade coletar feedback contínuo, para ajustar processos com base na experiência real dos colaboradores surdos, ou seja, quem está vivenciando este novo cenário dentro da empresa. Leia aqui o que uma empresa precisa para receber colaboradores surdos.

A inclusão não é apenas cumprir cotas

A inclusão não se faz apenas com cumprimento de leis. Aliás, acesse as leis vigentes sobre acessibilidade no Brasil neste artigo do blog da Inclua. A inclusão precisa ser construída no dia a dia da empresa, criando e transformando os ambientes para que se tornem ambientes acessíveis de verdade.

As empresas que tratam a acessibilidade como estratégia, e não como uma obrigação por lei, aumenta as possibilidades de colher diversos frutos.

Ou seja, as equipes se tornam mais engajadas nas atividades. Por outro lado, é perceptível o aumento da retenção de colaboradores na empresa.

A comunicação interna se torna mais acessível para todos, sem exclusão das pessoas surdas. Sim, isto é possível, leia mais sobre neste artigo que abordamos exclusivamente sobre o tema. E, consequentemente, a marca da empresa fica mais forte com o ambiente de inovação a partir da diversidade.

Como sair da inércia e começar a incluir pessoas surdas no mercado?


A pergunta não é mais se sua empresa deve ser inclusiva. E, sim, o quão preparada a sua empresa está para incluir de verdade?

Se hoje a inclusão de pessoas surdas ainda é minoria no mercado de trabalho, isso não é uma limitação desses profissionais. É um reflexo direto de como as empresas estruturam ou deixam de estruturar seus ambientes para receber estes colaboradores surdos.

E se a sua empresa pudesse começar essa transformação agora, com apoio especializado e soluções práticas pensadas em conjunto com você e sua equipe?

A Inclua pode ser a parceria estratégica para transformar a acessibilidade na sua empresa de forma escalável, eficiente e humana.

Converse com a nossa equipe para tirar suas dúvidas sobre como montar essa estrutura de comunicação acessível dentro da sua empresa.

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