Precisa contratar intérprete de Libras? 5 erros que você deve evitar

Contratar intérprete de Libras é uma decisão que vai muito além de cumprir uma exigência legal. Essa escolha impacta diretamente na qualidade da comunicação, na experiência do público surdo e na imagem da sua empresa ou projeto. Muita gente ainda acredita que basta “ter alguém que sabe Libras” para resolver a acessibilidade. Mas isso é um erro (e dos grandes). Por isso, neste artigo, você vai descobrir 5 erros comuns ao contratar intérprete de Libras e como evitá-los para garantir uma acessibilidade de verdade, para além de um discurso, com responsabilidade e qualidade. 1. Achar que qualquer pessoa fluente em Libras pode atuar como intérprete profissional Falar Libras não é o mesmo que interpretar Libras.Alguém que fala inglês, por exemplo, não é automaticamente um tradutor. Do mesmo modo, atuar como intérprete de Libras exige formação técnica, domínio de técnicas de interpretação, conhecimento ético e prática constante. A atuação do intérprete envolve mediação linguística e cultural em tempo real. Isso acontece em contextos diversos: eventos, audiências, consultas médicas, processos seletivos, treinamentos e entrevistas. Nesses ambientes, qualquer falha pode comprometer a compreensão, a tomada de decisão e até os direitos da pessoa surda. É por isso que a Lei nº 12.319/2010, que regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete de Libras no Brasil, exige qualificação profissional comprovada. Ou seja: não basta saber Libras: é necessário ter formação específica para atuar com responsabilidade e qualidade. Ignorar essa diferença pode gerar interpretações ruins, falhas de comunicação e constrangimentos institucionais. E o prejuízo não é apenas técnico: também afeta a credibilidade da empresa, do evento ou do órgão público envolvido. ✔️ Sugestão: antes de contratar intérprete de Libras, verifique a formação, experiência, áreas de atuação e domínio técnico do profissional. Isso faz toda a diferença na qualidade do serviço. 2. Escolher apenas pelo preço mais baixo Sabemos que todo projeto tem um orçamento.Mas contratar intérprete de Libras apenas pelo menor preço, sem considerar qualidade técnica, experiência e contexto, pode sair muito mais caro do que parece. Quando a escolha se baseia apenas no valor, surgem problemas frequentes: interpretação inadequada, falhas de comunicação, retrabalho, constrangimentos durante o evento — e até exclusão do público surdo, o que fere princípios básicos de acessibilidade. Isso também pode comprometer seriamente a imagem da sua organização. Intérpretes de Libras não são todos iguais – e nem devem ser. Assim como em qualquer profissão, existem diferentes níveis de formação, áreas de especialidade, estilos de atuação e perfis profissionais.Um intérprete experiente em conferências técnicas, por exemplo, pode não ser a melhor escolha para um show musical. Eventos técnicos, reuniões corporativas, ambientes de saúde, processos seletivos, apresentações artísticas e vídeos educacionais exigem habilidades específicas, que afetam diretamente a entrega da mensagem e a qualidade da acessibilidade comunicacional. ✔️ Sugestão: ao contratar intérprete de Libras, considere o valor agregado que o profissional oferece, não apenas o custo imediato. A acessibilidade feita com qualidade é um investimento, não um gasto. 3. Não considerar o tempo e a carga de trabalho Muita gente ainda acredita que um único profissional pode interpretar Libras por horas sozinho.Esse é um erro grave tanto do ponto de vista técnico quanto humano. A interpretação simultânea em Libras exige foco intenso, raciocínio rápido, decisões em tempo real e esforço físico constante. É uma atividade de alto desgaste cognitivo, que, quando realizada por longos períodos sem revezamento, pode comprometer a qualidade da tradução e a saúde do intérprete. Por isso, a prática mais segura e profissional é que dois intérpretes de Libras se revezem a cada 20 a 30 minutos. Em contextos mais exigentes, esse tempo pode ser ainda menor.Além disso, há restrições legais à atuação contínua de um único intérprete por mais de 60 minutos, conforme previsto na Lei nº 12.319/2010 e em normas técnicas complementares. Ignorar essas orientações não apenas gera uma comunicação de baixa qualidade, mas também expõe os profissionais a riscos e fere o direito à acessibilidade plena das pessoas surdas ou com deficiência auditiva. ✔️ Sugestão: ao contratar intérprete de Libras, sempre verifique a dinâmica da equipe e respeite os limites da atuação profissional. A qualidade do serviço depende disso. 4. Ignorar o tempo de atuação e a carga de trabalho do intérprete de Libras A acessibilidade não deve ser tratada como um detalhe de última hora.Quando os intérpretes de Libras são acionados com urgência, etapas fundamentais acabam sendo atropeladas: leitura prévia dos materiais, alinhamento com a equipe e preparação técnica para o contexto. Sem esse processo, o que se tem é um serviço improvisado, sem fluidez nem adequação ao público.Isso compromete não apenas a experiência das pessoas surdas, mas também a imagem da sua empresa ou instituição, que pode parecer despreparada ou descomprometida com a inclusão. Além disso, contratar intérprete de Libras com antecedência permite ajustar a equipe ao perfil do evento, prever revezamento e alinhar a atuação à identidade da organização.Esses fatores fazem toda a diferença na entrega. Planejar a acessibilidade com o mesmo cuidado dedicado ao conteúdo, ao palco ou à estrutura técnica é sinal claro de profissionalismo e respeito. ✔️ Sugestão: envolva os intérpretes desde o início do planejamento do evento, conteúdo ou projeto. Assim, você garante uma comunicação acessível, segura e de qualidade para todos. 5. Contratar intérprete de Libras sem entender a demanda real Nem toda situação exige o mesmo tipo de intérprete de Libras – e nem o mesmo formato de acessibilidade.Cada contexto pede uma solução pensada a partir do tipo de conteúdo, do público-alvo, da finalidade da comunicação e do canal de divulgação. Por exemplo, eventos ao vivo com participação do público costumam demandar interpretação simultânea em tempo real. Já materiais gravados – como videoaulas, treinamentos, campanhas ou tutoriais – muitas vezes se beneficiam mais de uma tradução com janela de Libras, que permite controle de qualidade e revisão antes da publicação. Em alguns casos, o ideal é um vídeo acessível completo, com Libras, legendas descritivas e audiodescrição integradas. A escolha errada do formato pode gerar retrabalho, desperdício de recursos e exclusão do público. Ou seja: um investimento feito,
Como contratar intérpretes de Libras? Evite cair em armadilhas!

Tem sido cada vez mais comum (jamais normal) vermos pessoas atuando como intérpretes de Libras. Nesse caso, atuando no sentido de representar, pois não são profissionais. Apenas atuam como tal. Um dos casos mais emblemáticos que eu me lembro foi um suposto intérprete de língua de sinais da África do Sul que, no funeral do Nelson Mandela em 2013, se posicionou ao lado de autoridades como Barack Obama e tantas outras. Aquela pessoa, na verdade, não estava sinalizando nada. Suas mãos e corpo se moviam, mas não havia sentido no que ele fazia. Sabe qual é o problema disso? Ninguém além das pessoas sinalizantes sabia o que estava acontecendo! Até que alguém botasse a boca no trombone, tudo parecia lindo para quem assistia sem saber a língua de sinais. Mas vou falar uma coisa: o caso do intérprete falso no funeral do Mandela só veio à tona por conta da denúncia, que gerou ampla repercussão na mídia internacional. Afinal, era o funeral do Mandela, né? Todos se abismaram. Todos se chocaram. Todos se indignaram. Mas… Existem intérpretes-fake entre nós. Mais do que você imagina. Há poucos dias, outro caso de intérprete falso veio à tona: dessa vez aqui no Brasil. O vídeo de um ex-deputado circulou nas redes sociais e gerou muita, muita indignação. Ao lado do homem, havia uma mulher também mexendo suas mãos e braços. Em tese, ela estaria interpretando a fala dele para Libras. Mas, novamente, o cenário do funeral se repetiu. O que ela fazia não era língua brasileira de sinais. Nem em um nível básico/iniciante. Eram simplesmente gestos e movimentos aleatórios, sem significado. Evidentemente, as comunidades surdas reagiram com muita força e denunciaram aquele absurdo. O ex-deputado pediu desculpas e disse que havia contratado aquela “intérprete” por meio de uma empresa. Como ele não sabe língua de sinais, confiou que fosse, de fato, uma profissional. Agora eu te pergunto… Quem você tem contratado para ser intérprete de Libras? Os casos dos supostos intérpretes de Libras, tanto no funeral do ex-líder sul africano quanto no vídeo do Instagram, causaram repercussão, porque estavam em muita evidência! O primeiro caso foi televisionado. O segundo, circulou nas redes sociais. Mas o que acontece em eventos mais fechados, onde não há tanta visibilidade assim? Conferências, reuniões, apresentações, treinamentos, consultas etc. Infelizmente, com muita frequência nós, que fazemos parte das comunidades surdas, recebemos relatos de pessoas surdas frustradas com os intérpretes que lhes foram fornecidos. (Aliás, quando são fornecidos, né?) Intérpretes que não dão conta da complexidade de um atendimento jurídico. Que interpretam informações erradas em uma consulta médica. Que não dão conta de mediar a comunicação em um simples atendimento em uma loja. Que, mais do que somar, prejudicam gravemente a comunicação. E depois as pessoas inferiorizam as pessoas surdas, quando, na verdade, o “”intérprete”” que não fez o seu trabalho (talvez, porque não era um profissional). A culpa é de quem, então? Entendo que tanto de quem tem a ousadia de fazer algo assim (pela razão que for) quanto de quem contrata a pessoa, direta ou indiretamente. Ora, será que ainda não sabemos que tradução e interpretação entre línguas são serviços extremamente especializados? Falando da Libras no Brasil, a profissão é até mesmo regulamentada por lei! Afinal, quem pode ser intérprete de Libras? Ao contrário de outros profissionais que trabalham na área da acessibilidade comunicacional, existem diversos requisitos para que uma pessoa possa ser tradutor, intérprete ou guia-intérprete. O artigo 4o da Lei n. 12.319/2010, modificada pela lei 14.704/2023, é clara e diz que o exercício da profissão é privativo (isto é, exclusivo) para: OU SEJA, não basta saber Libras para ser intérprete! É uma profissão de muita responsabilidade, que exige formação, rigor técnico e ético, além de conhecimento das especificidades da comunidade surda (art 7o, VI). “Ah, mas eu tenho um primo que sabe Libras”. “Ah, mas um colega de trabalho sabe um pouquinho”. “Ah, mas a gente dá um jeito aqui na empresa e se fala através de mímica.” Pensa comigo: se essa pessoa que “ajuda”não é, de fato um profissional, quais as possíveis consequências? Não me refiro apenas aos impactos reputacionais no caso de denúncia, mas do (in)acesso à informação e da (im)possibilidade de comunicação. “Ah, mas os surdos aqui nunca reclamaram ou falaram nada.” Pensa comigo de novo: se já é uma dificuldade imensa lutar para ter intérpretes, imagina o medo de ter que reclamar e dizer que o serviço não está sendo bom? Pois é. E como contratar intérpretes de Libras de verdade? Agora que você já sabe que não é qualquer pessoa que pode ser intérprete de Libras, você também é responsável por isso – mesmo que você não saiba a língua. Em primeiro lugar, confirme, junto à empresa que você pretende contratar, se os profissionais têm a qualificação necessária. Não tenha medo de pedir comprovação, certificados, de verificar a legitimidade da documentação. É sua responsabilidade! Em segundo lugar, peça um portfólio atualizado. Confira os trabalhos realizados, veja se existe experiência comprovada em contextos semelhantes àquele que você pretende contratar. Afinal, também existem muitos nichos diferentes como corporativo, cultural, midiático etc. Em terceiro lugar, sempre que possível, peça feedback às pessoas surdas sobre os trabalhos realizados pela empresa e seus profissionais. Elas, melhor do que ninguém, vão poder atestar que, de fato, os intérpretes fazem a comunicação acontecer. Precisa de ajuda com tradução e interpretação em línguas de sinais e soluções em acessibilidade comunicacional, nós da Inclua | Libras e acessibilidade podemos te ajudar. Vamos juntos?
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